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| Arquivo do Instagram: @jennifer_camargos |
Nestes últimos trinta dias sinto a minha cabeça lotada de pensamentos. Tanto que nem consigo mais enxergar meu futuro com tanta clareza ou então fazer no presente algo que contribua para tempos futuros. A única certeza que tenho é que a minha vida parece uma roda gigante: em um certo momento me encontro no topo, podendo ver do alto uma nova - e linda - perspectiva. Em outro, me encontro novamente no ponto de partida, conseguindo ver a mesma - porém serena - perspectiva de sempre. É como se a minha vida girasse como uma roda gigante, mas na velocidade de uma montanha - russa.
A menina dentro de mim que sonhou e batalhou durante anos, veio à tona outra vez! Cada partícula do meu corpo vibrava por estar ali e por finalmente se sentir parte de algum lugar sem precisar fazer esforço; os meus olhos brilhavam do mesmo jeito de antigamente quando meu pai me dava de presente a edição nova da minha revista favorita. A denominação para as sensações atuais eram as mesmas que as antigas recebiam, o que mudava era a intensidade. A menina decidida que sempre esteve presente, tinha certeza de que aquele era o lugar certo para grandes conquistas. Porém, a vida não estava limitada a apenas aquele espaço.
Fora daquele ambiente ressurgia a menina sem ânimo, sem inspiração, sem vida de anos atrás. Só que com mais intensidade. Apesar de ser a mesma por fora, do lado de dentro eu não era eu. Parecia ser impossível conseguir respirar enquanto estivesse ali, parecia era impossível pensar em algo que não fosse sair de tal situação. A voz da menina feliz e realizada dava lugar à voz da menina angustiada e sem ânimo. Então, movida pelo desespero, decidi voltar ao ponto de partida.
Agora, estando no mesmo lugar de início e com as duas versões aqui dentro ainda com voz, surge a versão não da menina, mas da mulher que é metade paz por conseguir respirar e metade desejo por querer voltar. Essa está se moldando aos poucos, aprendendo a ter paciência e dar um tempo para si até conseguir retornar sem pisar em ovos. No momento aflita por saber para onde quer ir, mas não saber como. Perdida. Sem Norte, Sul, Leste ou Oeste, mas com a certeza de que quando se encontrar será a melhor versão de si. Afinal, é se perdendo que a gente se encontra. E a cada vez que isso acontece, nasce uma versão melhor e mais forte de nós mesmos.
- Jennifer Camargos

