sábado, 19 de janeiro de 2019

Senta que lá vem papo sério #3: Thiago Ventura, Netflix Brasil e a '' grande ideia'' das piadas com deficiência.

Olá. Tudo bem? Então, o primeiro Papo Sério de 2019 é sobre uma polêmica que está rolando na mídia: A Netflix Brasil lançou a série '' Comediantes do mundo''e, dentre os comediantes que aparecem na série, está Thiago Ventura, um comediante conhecido na internet brasileira. Thiago, em seu stand up comedy, faz piadas com pessoas portadoras de deficiência.

Série da Netflix Brasil




Para tal justificativa, o humorista diz que um de seus fãs disse que fazer piada com deficientes é uma maneira de inclusão. E é aí que começo a me questionar: Será mesmo? Quer dizer, em algumas situações, nós mesmos fazemos piadas com a nossa própria deficiência, mas fazemos isso com pessoas que temos pelo menos alguma intimidade e, muitas vezes, fazemos para lidar de forma bem humorada com as ocorrências do dia a dia.
Tá tudo bem em incluir pessoas com deficiência nesse mundo humorístico, sério mesmo. O problema surge quando o principal '' condutor'' da piada é a ignorância, a falta de conhecimento mínimo sobre o assunto. O problema tá no esteriótipo, na generalização, na falta de propriedade para falar - que aliás, pra gerar risos e palmas é totalmente ignorada, né? - Fazer piada desse jeito não é inclusão! É só preconceito ''mascarado'' mesmo. 

Inclusão é dar oportunidade de emprego para pessoas com deficiência, inclusão é existir acessibilidade o suficiente para que um portador de deficiência possa usufruir do seu direito de ir e vir de forma digna assim como as outras pessoas. Algo que possa ofender, prejudicar ou magoar terceiros não pode - nunca - ser considerado inclusão. E só para deixar claro: É decepcionante ver  uma empresa do porte da Netflix ser condizente com uma forma de preconceito dessas.

 #DeficiênciaNãoÉPiada 





terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O 15 de Janeiro que mudou tudo.

Há quatro anos, nesse mesmo dia, a minha vida estava prestes a mudar.

Olá. Me chamo Jennifer, tenho 18 anos, moro em Minas Gerais e sou deficiente física. Hoje, dia 15 de Janeiro, se completam quatro anos de uma cirurgia que fiz; e para mim, essa é realmente uma data marcante. Pensando nisso, vou contar um pouco da minha trajetória até aqui.

Por conta de complicações na gravidez da minha mãe, nasci prematura e com uma paralisia cerebral chamada triplegia à esquerda -perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores. – Passei um tempo na incubadora e depois pude ir para casa.

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Os anos foram passando, eu fui crescendo e os médicos diziam que eu não poderia andar. Com 2 anos e meio, em busca de alguma solução,  fui a primeira vez ao hospital SARAH Kubitschek, em Belo Horizonte. Foi lá que a minha vida começou a mudar. Passei por diversos profissionais, exames... A partir daí o diagnóstico começou a ser revertido e eu comecei a andar. 

Apesar de finalmente andar, pisava na ponta do pé esquerdo, e para reverter isso precisei usar gesso  –algumas vezes - e um aparelho tipo uma bota mesmo. Eles ajudavam bastante, já que assim meu pé era forçado a ficar no chão. A grande questão é que meu pé sempre voltava a ficar como antes e por causa disso os médicos sabiam que seria preciso fazer algo, no entanto seria preciso esperar.

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Eu continuei crescendo, indo ao hospital algumas vezes ao ano, fiz uma cirurgia nas virilhas, continuei indo à APAE da cidade... Em fim: segui com a minha vida. Quando cheguei à adolescência, a equipe de médicos disse que para a minha cirurgia definitiva acontecer só era preciso que meu crescimento parasse. E quando acontecesse, era só eu esperar que me chamassem. Em 2015 isso aconteceu.

Passei por todos os exames e avaliações um tempo antes dela ser realizada, e aí, dia 14 de Janeiro daquele ano, fui internada para a realização da minha - tão sonhada – cirurgia para a correção de marcha. Ela aconteceu dia 15 de Janeiro de 2015, durou a manhã toda e foi até as 13h:30min. Fiquei uma semana no hospital, 43 dias de gesso em casa, semanas – sério, eu não lembro quantas foram - no hospital para a fisioterapia, e um tempão de cadeira de rodas, andador e muleta. Esse capítulo foi com certeza o mais louco que já vivi até aqui. 

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Hoje eu tenho maturidade o suficiente para reconhecer que tive sorte. Tive sorte por ter um pessoal tão incrível cuidando de mim, por ter suporte de família e amigos, por ter feito amigos tão maravilhosos. Hoje eu vejo que essa experiência me mudou, me fortaleceu. E eu não poderia ser mais grata, mais feliz. Percebo que sou privilegiada por conseguir lidar com a minha deficiência tão bem, afinal nem todos conseguem. Eu espero do fundo do meu coração que eles pelo menos tentem. 


Sabe, no período de internação eu ouvi uma mulher dizer pra minha mãe que deficientes nunca poderão ser cem por cento normais, fiquei bem brava e essa frase nunca mais saiu da minha cabeça. Fiquei triste na época, mas atualmente eu concordo com ela. Nós não nos encaixamos no que a sociedade considera padrão. Na maioria das vezes temos mais limitações do que os outros, e tudo bem. Mas tem um ponto bem importante que devia ser considerado: ter limitações não significa incapacidade. A deficiência tira coisas da gente, mas dá outras mais valiosas: a persistência, a dedicação, a paciência, a capacidade de adaptação. Essa última é a que eu acho mais incrível. 

Algumas vezes não conseguimos realizar tarefas do jeito convencional, então adaptamos à nossa realidade própria e assim conseguimos realizá-las. Se a gente quer e vê possibilidades, buscamos tentar. Pessoas ‘’ normais’’  por mais que vejam, não entendem. Gosto da nossa capacidade de ir contra a correnteza, é inspirador até mesmo para aqueles que vivenciam realidades parecidas. Espero que continuem indo contra a correnteza e dando o melhor de si, porque até mesmo pra nós, o céu não é o limite.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Recomendação: Canal de música do João

Olá caros leitores, tudo bem? Demorei um pouco para aparecer nesse 2019, mas é que eu ainda não tenho muito o que dizer. Terei em breve, eu espero. Não ter nada para dizer não significa que não tenho nada para recomendar, muito pelo contrário. As férias estão aí, e com o tempo livre que tenho, descobertas de coisas para recomendar é o que não faltam! A primeira recomendação do ano é uma recomendação musical. 

Há alguns anos atrás eu jogava um jogo online e, por conta dele, fiz grandes amigos. Um desses meus amigos é o João Luiz. Desde que o conheci, vi que curtia muito cantar, sabe? Nós perdemos o contato durante um tempo, mas voltamos a nos falar recentemente e, se tem uma coisa que percebi é que: a paixão dele pela música só aumenta.
Arquivo Espontaneamente Espontânea


O João, dono de um talento enorme E de um canal no Youtube- é um garoto de 17 anos lá de Camacan, na Bahia. E eu resolvi falar dele para vocês porque eu sei como é ter uma paixão forte que nem a dele pela música e porque eu quis que vocês vissem um pouco do talento dele. E quer saber? Quem dera se todo mundo pudesse ter um João Luiz na vida. Só quem tá por perto sabe a sorte de ter ele.


As favoritas dele são as internacionais. Esse vídeo dele cantando Somewhere over the rainbow tá lá no Instagram, assim como algumas fotos e um take de um vídeo de música lá do YoutubeMúsica que ele mesmo compôs, tá? É só sucesso mesmo! Cês também acham que ele é talentoso? Se sim, é só ficar de olho no canal dele que ele sempre posta vídeos de música por lá.

Espero que tenham gostado da recomendação de hoje e que sempre incentivem quem os rodeia - e a vocês mesmos - a lutarem pelas suas paixões.