segunda-feira, 16 de julho de 2018

Quão libertadoras as mudanças podem ser?


Desde criança eu sempre tive questões pendentes comigo mesma sobre meu corpo e meu cabelo. Desde que comecei a entender e a saber do que eu gostava ou não; aceitar, respeitar e gostar do meu cabelo nunca esteve em questão. Enquanto criança eu nunca me preocupei tanto com aparência. Por isso, mesmo me incomodando, o deixava preso em rabos de cavalo, tranças, ou solto, algumas vezes, sem modifica-lo. Conforme eu fui crescendo, passei a me preocupar mais com a minha aparência e, a partir disso, meu cabelo passou a ser realmente uma grande questão na minha vida.

As pessoas sempre opinaram muito, sabe? Mesmo não tendo relação nenhuma com elas, uma opinião não solicitada sempre surgiu (e ainda surge). Por não gostar do que eu tinha, minha opção era a chapinha (Minha mãe nunca me deixou fazer progressiva). Festas, cotidiano... em qualquer situação a tal da chapinha estava lá comigo. Em certas ocasiões ela realmente foi uma aliada, já em outras... – Em um ano, no Natal, fui ao salão e fiz a chapinha. Na volta pra casa peguei uma chuva e cheguei toda ensopada e com dinheiro desperdiçado. Passei a data com um cabelo que eu odiava, e isso me traumatizou. – Apesar do meu cabelo danificado e desses perrengues que já passei, eu sempre achei que era um bom investimento a se fazer. Até ano passado.

Em 2016 eu coloquei como meta aceitar meu cabelo como ele realmente era. Não funcionou. Eu continuei investindo em alisamento. Em 2017, eu não coloquei isso como meta porque achei que não ia funcionar. Em Dezembro do ano passado eu decidi que estava cansada de ter meu coro cabeludo queimado e que faria algo a respeito no próximo ano. Em 2018, no primeiro dia do ano, estava tentando começar algo de que me orgulhasse: passei, por escolha própria, uma data comemorativa com o meu cabelo como ele é de verdade. Foi um pouco complicado mas com algumas flores e fotos, foi se tornando algo normal pra mim ao longo do dia. Por causa dessa experiência que decidi viver, nunca mais quis alisar.

Foto tirada hoje( Arquivo deste blog)



Felicidade é saber que as pessoas estão se aceitando como são e entendendo que modificar algo que não gostam também faz bem e pode sim acontecer. Ontem eu ouvi que usar o cabelo ao natural ‘’ tá na moda’’. Não. Não ‘’ tá na moda’’. O que está acontecendo ao meu ver é que: pessoas estão tomando a decisão importantíssima de se aceitar e se gostar, e graças a isso, outras pessoas são incentivadas a fazerem o mesmo. Não é moda. É só a humanidade evoluindo suas concepções e conceitos. É algo que levou tempo e paciência, mas que vem se tornando normal, ainda bem. Não sei se fui influenciada, talvez sim. Só sei que ainda bem que o mundo tá evoluindo. Ainda bem que tô evoluindo junto com ele e que graças a isso venci um obstáculo que pra mim era gigante. Espero que mais pessoas possam evoluir também. Felicidade é saber que o mundo têm evoluído aos poucos e graças a isso pessoas têm percebido que são maiores do que seus próprios monstros interiores.





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