Não sei se lê meus posts com frequência, ou se pelo menos leu aquele em que contei a história da minha vida. Se não leu... bom, sou portadora de PC(Paralisia Cerebral) e como deficiente física, tenho buscado cada vez mais representatividade em tudo o que é possível, sabe? Tenho encontrado na internet pessoas que possuem alguma deficiência e que podem me inspirar de alguma forma e, graças a essas pessoas, tenho encontrado conteúdos que envolvem a classe: livros, filmes, séries... E por isso estou aqui: para indicar algo que é representatividade do início ao fim.
Hoje, assisti na Netflix, uma série chamada Special, onde o protagonista é gay e portador de paralisia cerebral - a representatividade entra então para duas classes <3. - Ela é baseada no livro " Especial e outras mentiras que contamos para nós mesmos" escrito por Ryan O' Conell que também escreveu a série e faz o protagonista da trama.
Special gira em torno da vida do Ryan, da sua tentativa de independência e da vida de sua mãe, que viveu a vida toda em função do filho. É uma série curta: Oito episódios com menos de quinze minutos cada um. Mesmo assim, faz o espectador se envolver, mergulhar de cabeça, rir ou chorar.
Já assisti uma série que tem o autismo como tema, achei incrível. Dessa vez achei ainda mais incrível! Não pensei em ver tão cedo uma série que retratasse a minha deficiência, mas o fato é que eu vi! Aconteceu!
Apesar de não me identificar com tudo que o Ryan passa, existiram situações em que eu realmente me vi no lugar dele, como por exemplo: No início do primeiro episódio, ele está andando e de repente ele cai. Isso acontece comigo sempre! Em algumas semanas isso acontece em uma quantidade maior de dias do que outros, mas o fato é que eu estou sempre caindo por aí - meu lema é: - se eu não fui pro chão no lugar x, eu não estive lá. - É uma piada que faço comigo mesma. A mãe dele, assim como os meus pais, é super protetora; crianças me param para perguntar coisas sobre meu modo de andar; e talvez o fato que mais me envergonhava até pouco tempo atrás: não sabia amarrar os cadarços. Meus pais sempre amarraram pra mim e eu morria de medo deles desamarrarem na escola, porque aí eu teria que pedir ajuda de alguém, e pra mim, não saber algo tão simples era vergonhoso. Atualmente eu aprendi a amarrá-los e me viro bem.
Me identifiquei acima de tudo porque possui acontecimentos reais. Nada de tão fantasioso. A história é real, o ator é realmente portador de PC - Se não fosse, estaria tudo bem. Mas o fato de ser, me deixou feliz. Ter alguém com a minha deficiência nas telas aumentou ainda mais meu sentimento de representatividade causado pela série. - Assim como eu, outras pessoas também se sentiram assim, e é isso que importa. Leitor, não sei sua sexualidade ou se é portador de deficiência, só sei que independente disso, Special é um entretenimento de qualidade que merece pelo menos uma chance sua, viu? A pessoa que vos escreve está radiante por esse post de recomendação e espera que muitos de vocês acessem a Netflix para assistir a esse lindo trabalho. Beijos e até a próxima.
#RepresentatividadeImporta
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